TRF4 fica na última posição do Ranking iGovTIC-JUD 2026 e zera no quesito “Pessoas”

Com pontuação de 54,28/100, tribunal ocupa a 94ª colocação; resultado reacende discussão sobre a estrutura de pessoal e a baixa convocação de aprovados para a área de Tecnologia da Informação.

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) registrou o pior resultado no Ranking iGovTIC-JUD 2026, ocupando a 94ª e última posição do levantamento. O tribunal alcançou a pontuação geral de 54,28 de 100, resultado que enquadra seu nível de maturidade como “satisfatório”, abaixo dos níveis “aprimorado” e “excelência”.

O resultado chama atenção principalmente pelos indicadores relacionados à área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Entre os oito temas avaliados, o TRF4 registrou nota zero justamente no Tema 5, “Pessoas”.

A combinação entre a última colocação geral e a pontuação de 0,00 nesse tema coloca em evidência a necessidade de discutir a estrutura de pessoal da área de Tecnologia da Informação do tribunal.

Nota zero em “Pessoas” coloca quadro de TI no centro do debate

O dado mais expressivo da avaliação do TRF4 está no Tema 5: Pessoas, que registrou a nota 0,00.

O resultado ganha ainda mais relevância diante da realidade das nomeações para a área de Tecnologia da Informação. Embora o TRF4 realize nomeações para cargos como Técnico Judiciário e Analista Judiciário, os candidatos aprovados para cargos específicos de TI vêm observando um número reduzido de convocações.

Na prática, existe uma percepção entre os aprovados de que a Tecnologia da Informação não vem recebendo a mesma atenção dada a outras áreas do tribunal quando se trata do aproveitamento dos candidatos aprovados.

Essa situação merece ser colocada em discussão especialmente diante do resultado apresentado pelo iGovTIC-JUD 2026. O indicador não permite afirmar, isoladamente, que a baixa convocação de aprovados em TI seja a causa da nota zero no tema “Pessoas”. Entretanto, a coincidência entre uma pontuação de 0,00 nesse eixo e a discussão sobre o reduzido aproveitamento de profissionais aprovados para a área de tecnologia levanta uma questão objetiva: a estrutura de pessoal de TI do TRF4 é suficiente para atender às necessidades atuais e futuras do tribunal?

A pergunta se torna ainda mais relevante quando se observa que a Tecnologia da Informação possui papel transversal no funcionamento de uma instituição pública e que diferentes serviços dependem de infraestrutura tecnológica, sistemas de informação, atendimento aos usuários, segurança, gestão e transformação digital.

Os resultados apresentados foram preocupantes em diferentes temas avaliados pelo iGovTIC-JUD 2026

Os resultados do iGovTIC-JUD 2026 mostram que o desempenho do TRF4 não foi uniforme entre os diferentes temas avaliados.

O melhor resultado foi registrado no Tema 8, “Sistemas de Informação”, com 73,75 pontos. Em seguida aparece o Tema 1, “Estruturas Organizacionais”, com 67,50 pontos.

Também foram registrados resultados de 59,50 em “Riscos” e 58,00 em “Atendimento e Suporte ao Usuário”.

Por outro lado, o tribunal alcançou apenas 38,60 pontos em “Políticas e Planejamento” e 44,50 em “Infraestrutura Tecnológica e Serviços”. O Tema “Transformação Digital” ficou em 51,75 pontos.

O contraste mais significativo, entretanto, está no Tema 5, “Pessoas”, que registrou 0,00.

Resultado por tema

  • Tema 1 — Estruturas Organizacionais: 67,50
  • Tema 2 — Políticas e Planejamento: 38,60
  • Tema 3 — Transformação Digital: 51,75
  • Tema 4 — Atendimento e Suporte ao Usuário: 58,00
  • Tema 5 — Pessoas: 0,00
  • Tema 6 — Infraestrutura Tecnológica e Serviços: 44,50
  • Tema 7 — Riscos: 59,50
  • Tema 8 — Sistemas de Informação: 73,75

Desempenho nos domínios de TIC e Negócio

A avaliação também apresenta resultados separados entre os domínios da área de TIC e da área de Negócio.

No domínio da área de TIC, o TRF4 obteve 43,17 pontos em Governança e Gestão de TIC e 59,25 pontos em Gerenciamento de Serviços de TIC.

No domínio da área de Negócio, foram registrados 50,00 pontos tanto em Governança e Gestão de TIC quanto em Gerenciamento de Serviços de TIC.

Os números evidenciam que, embora alguns componentes apresentem desempenho mais elevado, ainda existem áreas com resultados significativamente inferiores.

Poucas nomeações em TI levantam questionamentos

O resultado do iGovTIC-JUD 2026 também oferece um novo elemento para a discussão sobre as nomeações de candidatos aprovados na área de Tecnologia da Informação.

O TRF4 possui candidatos aprovados em concursos para cargos relacionados à TI, mas as convocações nessa área são percebidas como reduzidas quando comparadas às nomeações realizadas para outros cargos do tribunal.

O cenário chama atenção porque o tribunal apresenta uma demanda permanente por tecnologia para manter seus sistemas, infraestrutura e serviços digitais, ao mesmo tempo em que o indicador de “Pessoas” aparece com pontuação zero.

Não se trata de afirmar que a nota do iGovTIC-JUD seja consequência direta da quantidade de nomeações realizadas pelo tribunal. O indicador possui metodologia própria e deve ser analisado dentro dos critérios estabelecidos para sua avaliação.

A questão, porém, merece ser esclarecida: se o próprio levantamento aponta 0,00 no tema “Pessoas”, qual é a atual estrutura de pessoal de TI do TRF4 e ela é compatível com as necessidades tecnológicas da instituição?

Essa discussão ganha importância diante da existência de candidatos já aprovados e aptos a serem convocados. O aproveitamento desses profissionais poderia, ao menos em tese, ser considerado dentro de uma estratégia de fortalecimento da força de trabalho de TI, especialmente diante dos resultados apresentados pelo levantamento.

A Queda no iGovTIC-JUD 2026 e o Histórico do TRF4: A Urgência do Capital Humano na TI

Um resultado que não pode passar despercebido

A 94ª colocação no Ranking iGovTIC-JUD 2026 representa um resultado que merece atenção. Com 54,28 pontos, o TRF4 ficou na última posição entre os 94 órgãos avaliados e alcançou nível de maturidade classificado como “satisfatório”.

A posição de 2026 também chama atenção quando comparada aos resultados obtidos pelo tribunal nos anos anteriores. Em 2025, o TRF4 ocupava a 84ª posição, com 67,31 pontos. Em 2024, estava na 91ª colocação, com 56,96 pontos. Nos anos anteriores, ficou em 91º lugar em 2023, com 58,93 pontos; em 90º em 2022, com 52,79 pontos; e em 87º em 2021, com 49,47 pontos.

  • 2021: 87º lugar (49,47 pontos)

  • 2022: 90º lugar (52,79 pontos)

  • 2023: 91º lugar (58,93 pontos)

  • 2024: 91º lugar (56,96 pontos)

  • 2025: 84º lugar (67,31 pontos)

  • 2026: 94º lugar (54,28 pontos)

Os dados mostram que, embora a pontuação tenha apresentado oscilações ao longo dos anos, o resultado de 2026 coloca o TRF4 na pior posição de toda a série apresentada. Também chama atenção a queda de 13,03 pontos em relação a 2025, quando o tribunal havia alcançado 67,31 pontos e ocupado a 84ª colocação.

Dentro da avaliação de 2026, os resultados também revelam diferenças significativas entre os temas analisados. As notas de 38,60 em Políticas e Planejamento, 44,50 em Infraestrutura Tecnológica e Serviços e, principalmente, 0,00 em Pessoas evidenciam áreas que merecem atenção.

O resultado de 73,75 pontos em Sistemas de Informação, embora superior aos demais temas, não altera o quadro geral apresentado pelo levantamento, especialmente diante da última colocação do tribunal no ranking e das baixas pontuações registradas em outros componentes da avaliação.

Nesse contexto, a política de pessoal da área de Tecnologia da Informação não deveria ser dissociada da discussão sobre os resultados apresentados pelo tribunal em TIC.

Se o TRF4 possui aprovados em cargos de TI aguardando convocação, enquanto o indicador oficial apresenta nota zero no tema relacionado a pessoas, torna-se legítimo questionar se o quadro atual é suficiente para atender às necessidades da instituição e quais medidas podem ser adotadas para fortalecê-lo.

Portanto, o resultado do iGovTIC-JUD 2026 não deve ser analisado apenas como uma posição em um ranking. A 94ª colocação, a pontuação de 54,28 e os indicadores apresentados, especialmente a nota zero em “Pessoas”, constituem elementos que podem servir de ponto de partida para uma discussão mais ampla sobre governança, planejamento, infraestrutura, transformação digital e, sobretudo, sobre a estrutura de profissionais necessária para a Tecnologia da Informação do TRF4.

Sendo assim, diante da queda observada em relação a 2025 e da pior colocação registrada pelo tribunal na série apresentada, a estrutura de pessoal de TI merece ser incluída no debate sobre os caminhos para melhorar os resultados institucionais. A eventual convocação e o aproveitamento de candidatos aprovados para cargos de TI passam, nesse contexto, a fazer parte de uma discussão maior: avaliar se o TRF4 dispõe atualmente do número e do perfil de profissionais necessários para sustentar seus serviços tecnológicos e avançar na maturidade de sua governança de TIC.

 

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